Existem momentos em que fazer o que se quer pode constituir um ato de perda, dado o fato de que não se terá, em muitos casos, a oportunidade de voltar atrás em nossas escolhas. Mas na maioria das vezes preferimos pagar o preço a ter que abrir mão de nossos caprichos.
Em muitos casos, a persistência nos leva para lugares melhores do que os atuais. É o caso dos grandes empreendedores que resolveram entregar-se por uma causa e, consequentemente, receberam como retorno por seus esforços, o sucesso de seus investimentos. Olhando por esse prisma, o que está em jogo não é o fazer o que se quer, mas sim analisar o que se quer, visando o custo benefício tanto do querer como do deixar de querer.
Existe o outro lado da moeda que é quando o objeto do querer mostra-se como uma perda óbvia e mesmo assim insistimos em investir. Milagres acontecem, porém se é notória a perda de tal investimento, ou seja, se tal investimento é uma perda em si, não será novidade o fracasso. Resume-se no que Salomão há muito já falara, “enfado e correr atrás do vento”.
Em missões podemos analisar ainda por outro ângulo, ou seja, o Olhar de Deus, como Ele enxerga aquilo que queremos para o ministério, colocando em prática aquele versículo que diz: “É Ele que efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”. Sendo assim e assim deve ser, cabe a nós vermos até que ponto é o que Deus quer e onde começa o que apenas nós, em nossa pouca visão, queremos.
O que não falta em nosso meio (CRISTÃO), são exemplos de planos ministeriais frustrados. Pessoas que tem potencial e competência, porém não conseguem fazer de seus projetos, algo contínuo. Não tenho explicação para tais frustrações, e nem posso simplesmente dizer que não era a vontade de Deus, já que não coloquei em questão o tempo de Deus. Muitas vezes é da vontade Dele que aquilo que planejamos aconteça, mas no tempo e da forma Dele. Desta forma, além de sabermos se algo é projeto de Deus, precisamos também ter sensibilidade para saber o tempo certo de agir. Nasce a partir disso uma fórmula aparentemente simples Vontade de Deus + Tempo de Deus = Projetos bem sucedidos aos olhos de Deus. É claro que na prática a coisa é um tanto mais complexa, temos contra nós a ansiedade que não dá trégua, mas nada que um pouco de oração e leitura bíblica não resolva.
Para as outras coisas como investimentos financeiros, relacionamentos e liderança essa regra também se faz muito válida.
E se eu for um fugitivo viciado?
É comum encontrarmos em nossa personalidade características do fugitivo viciado. É comum também pensarmos sofrer de uma patologia, mesmo não sendo verdade, é o que chamamos de “hipocondria”. Sendo assim, pensar ser um fugitivo viciado, pode ser apenas uma questão de atitude. Abaixo exponho alguns tópicos onde dou algumas dicas de atitudes para que os efeitos desse “pensar ser” torne-se menos doloroso.
1. Pare de pensar que os problemas que acontecem com você são eternos. Ou seja, os problemas acabam, passam, simplesmente deixam de existir, resolven-se. Sendo assim nada melhor que o tempo e, quando houver necessidade, diálogo, para saná-los.
2. Nem sempre aquilo que achamos não conseguir é uma verdade. Somos colocados dia após dia diante de obstáculos, barreiras que, por alguns instantes, parecem dizer que não vamos conseguir alcançar nossos objetivos. Mas se você olhar para dentro de você vai ver que é tão capaz quanto qualquer pessoa. Tem tanto potêncial quanto o homem mais inteligente que você conheça.
3. Não seja negativista com relação aos projetos de terceiros, afinal todos temos boas idéias e o que nos impede de torná-las real é nosso medo de errar. Invista tempo na vida de outras pessoas, não transmita mensagens negativas aos seus amigos e procure acreditar mais neles.
4. Sonhar é preciso, acordar também. Um grande problema dos fugitivos viciados é que eles sonham muito, mas fazem pouco acordado. Talvez seja hora de sair da posição de comodismo e partir para uma nova etapa da vida, onde haja mais atitude e menos blábláblá.
5. Enfrente os problemas sem medo, nada é mais importante do que ter atitudes de coragem diante das situações que procuram nos amedrontar.
6. Lembre-se que a vida é pra ser vivida em plenitude. Sendo assim, fugir pra que?
7. Invista em projetos de pequeno, médio e longo prazo e vá até o final naquilo que se propor. Isso diminui em muito o risco de frustração. Mas quando não der certo, parta pra outra.
8. Ousadia é primordial na existência. Como diria Nietzsche: “O fraco não alcança a meta!
Grande abraço!
Álvaro de Campos
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Reconhecendo os fugitivos viciados
A principal característica dos fugitivos é fugir (óbvio não?). Porém eles usam de artimanhas para cumprir o seu objetivo.
Se você reconhecer em você algumas dessas características não se preocupe, é absolutamente normal, mas se encontrar todas elas, tá na hora de mudar o rumo da existência, mas isso é assunto para o próximo texto (“E se eu for um fugitivo viciado?”).
1. Negativismo: São extremamente negativistas. Não ouse fala de inovação com eles, pode ser o fim de uma amizade (sim, eles tem amigos, antes que você pergunte,rs).
Ao falar de seus projetos com eles tenha muito cuidado, eles sempre tem um balde de água vinda diretamente da Antartida para jogar sobre seus planos. Inovar pra eles é começar a assistir a nova novela das oito, mas só porque a outra acabou e, mesmo assim, ainda confunde os personagens da atual com os da antiga.
Inveja é seu esconderijo superultramegahipersecreto, Eles não admitem a vitória de ninguém, nem mesmo dos melhores amigos. Sempre que souberem que você se deu bem em algo, não pouparão palavras negativas a seu respeito.
2. Insegurança excessiva:Talvez você confunda ele com o melhor amigo, pois por medo de perder sua amizade - que por muitas vezes ele usa pra se esconder - ele não te fala o que pensa. Normalmente irá fazer você acreditar que está super bem vestido, quando na verdade sua calça tem um furo bem no “nórius”.Imagina o que você pensaria dele se ele dissesse que você está horrível com seu novo corte de cabelo. Autenticidade nas palavras é o que menos você precisa esperar deles, pois confundem amizade com “puxassaquismo”- se é que essa palavra existe, rs.
3. Sangue-Sugas:Sugam ao máximo aqueles que lhes dão atenção. Mas os problemas são sempre os mesmos de sempre. Com o passar do tempo tornam-se cansativos e acabamos por abandoná-los automaticamente, não por maldade, mas pelo desgaste emocional que eles nos causam.
4. Tudo de ruim só acontece com eles:Parece que o sol nunca brilha para eles. Estão sempre carrancudos, só sorriem se tomam conhecimento de alguma tragédia. Por outro lado são ótimos para ouvir nossos problemas, os fazem se sentir menos miseráveis. Portanto, não os poupe de contar-lhes suas desventuras, eles vão ficar muito felizes.
Leia também:
A primeira parte da série Vícios: Fuga
Próximo texto: “E se eu for um fugitivo viciado?”